Fidelidade no casamento.

Uma das definições para a palavra fiel é: “Fiel é aquele que não mantém ligações amorosas senão com a pessoa com quem se comprometeu, é aquele que mantém fidelidade no casamento.”

Existe um equívoco generalizado, ao se identificar fidelidade no casamento com sexualidade. Conheço mulheres que nunca tiveram uma relação extraconjugal, mas não suportam o marido e visse versa . Permanecem com eles só por dependência financeira, criticando-os e desvalorizando-os para as amigas. No entanto, são consideradas fiéis…

fidelidade no casamento

A fidelidade no casamento, ou entre duas pessoas que vivem juntas, está no sentimento recíproco que nutrem e nas razões que sustentam a própria vida a dois. Mas isso não tem nada a ver com ter ou não relações sexuais com outra pessoa. O problema é que, quando duas pessoas iniciam um namoro ou se casam, sentem-se como que adquirindo um título de propriedade, e cada uma se acha no direito de exercer um controle sobre a outra, principalmente quanto ao corpo.

a socióloga inglesa Catherine Hakim diz que ter um caso faz bem ao casamento. no seu último livro ela explica porque é que as relações extraconjugais tornam os casais mais felizes.

Nos países com menor taxa de divórcio, os casos extraconjugais são mais aceitáveis e praticados. Ela compara os Estados Unidos com a Europa. No primeiro, onde não se tolera a mínima escapadela, metade dos casamentos termina em divórcio.

Na Europa, há uma cultura de que a fidelidade sexual no casamento não é tão importante assim. Isso explicaria porque na Espanha e na Itália, a taxa de divórcio fica em torno de 10%. Nesses países, os estudos revelam a alta incidência de casais em que cônjuges já tiveram um ou mais casos durante o relacionamento.

Casamento não é confessionário.

Quando tudo é conhecido e não existe nada no parceiro que não se saiba, não há surpresa, não há nenhuma novidade, não há descoberta. O que existe, como consequência natural dessa vida tão sem emoção, é um profundo desinteresse. É assim com a maioria dos casais. Optam pela monotonia e pelo tédio porque não suportam as surpresas de uma vida sem garantias preestabelecidas. Isso não passa de uma ilusão. Desde quando existe alguma garantia, de qualquer espécie, na existência humana?

infidelidade sexual

De uma maneira geral, numa relação estável as cobranças de fidelidade sexual são constantes e é natural a sua aceitação. Uma severa vigilância é exercida sobre os parceiros. O medo de ficar sozinho é tanto, que é difícil encontrar quem reivindique privacidade e tenha maturidade emocional para saber que, se tiver um episódio extraconjugal, isso não diz respeito ao parceiro. A única coisa que importa numa relação é a própria relação, os dois estarem juntos porque gostam da companhia um do outro e fazerem sexo porque sentem prazer.

Todas as restrições impostas e aceites com naturalidade ameaçam muito mais a relação do que a infidelidade sexual.

Reprimir os verdadeiros desejos não significa eliminá-los. Quando a fidelidade se traduz por concessão que se faz ao outro, o preço torna-se muito alto e pode inviabilizar a relação. Algumas pessoas já estão a dar-se conta disso e, talvez por lidarem melhor com o desamparo e não se submeterem cegamente às normas sociais, ousam soluções nada convencionais. Sorte a delas.

a psicanalista Regina Navarro propõe a seguinte reflexão acerca da monogamia: “A exclusividade sexual é a grande preocupação de homens e mulheres. Mas ninguém deveria se preocupar se o parceiro transa com outra pessoa. Homens e mulheres só deveriam se preocupar em responder a duas perguntas: Sinto-me amado(a)? Sinto-me desejado(a)? Se a resposta for ‘sim’ para as duas, o que o outro faz quando não está comigo não me diz respeito. Sem dúvida as pessoas viveriam bem mais satisfeitas.”

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